Por Meg

Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. (Clarice Lispector)

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Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. (Clarice Lispector)
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13.03.07

Os tombos

Quando eu os via para lá e para cá com ela, eles e aqueles sorrisos explodindo felicidade, ficava com os olhos marejados de vontade de estar lá no lugar deles, com ela.

Sentia-me triste e bem dentro de mim calava uma mágoa da mãe e de mim mesma, pois era medrosa demais para desafiar quem tinha gerado a vida minha. E enquanto eles se divertiam e riam e caíam, se machucavam, levantavam, viviam! Eu, com os olhos marejados, observava-os invejosa, tentando criar coragem para o desafio.

Eis que enfim chegou o grande dia em que o monstro do saco já não me assustava. Lembro o quão decidida eu estava em ficar com ela, tomá-la em meus braços e fazê-la minha após tanto tempo de espera.
Foi mais fácil do que eu supunha. Tão logo a peguei, já a comandava. E me senti feliz quando caí e me machuquei, pois sabia que aquilo fazia parte do aprendizado (e como foi maravilhoso sentir-me viva, de fato!).

Porém, eles já não ligavam pra ela, não viam mais graça nela e eu me senti como quem chega por último em uma competição...e me senti sozinha. Ela, que eu tanto quis, me veio tarde... e eu culpei a mãe pelo que sua proteção demasiada havia me feito perder.
Mas sabia, aqui dentro, que era corajosa de menos e que se fosse um pouco mais, teria provado à genitora que embora os tombos machucassem, valiam a pena, por que eles são as lições que precisamos aprender.

Quando eu tiver meus filhos, o primeiro presente que darei a eles será uma bicicleta. Contarei a história de quando eu via meus amigos brincando com ela e vou desejar que meus filhos tenham sorrisos explodindo de felicidade, sem nenhum monstro do saco para atormentá-los. E se desta vez meus olhos marejarem, que seja da alegria de vê-los felizes, rindo, caindo e levantando, aprendendo as lições que os tombos podem nos ensinar.

Por Meg
(claudia.magnolia@hotmail.com)



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