27.2.07
Qualquer título
Diário de uma aspirante a jornalista- parte I
Hoje fui entrevistar o presidente da Bamuca (Banda Municipal de Camaçari), cuja sede fica próxima à do jornal em que trabalho, motivo pelo qual preferi ir a pé ( andando,paletando, de onze, como queiram!). Ah! Vale ressaltar que o fato de eu precisar perder uns insuportáveis “quilões” ( pq quilinhos já não são faz muito tempo!) também me incentivaram à caminhada.
Gilmar Joaquim, o presidente, gente fina, me recebeu bem e até me ofereceu a pilha recarregável do mp3 da banda, já que a do meu havia acabado. Não aceitei sob desculpa de a pilha do meu não ser recarregável (e daí?), quando na verdade o que eu não estava era conseguindo fazer o tal aparelho gravar…snf snf (vivo me pegando nessas tecnologias)…lembrei também de uma aula em que um professor me disse: “ Em serviço, nunca aceite nada de ninguém, pode ser propina” oh céus! Que trágico! Rsrs
A entrevista, metade gravada no celular, metade escrita na minha agenda com uns garranchos que só eu mesma para decifrar (e olhe lá!), foi bem legal, tranqüila e eu acabei conhecendo mais um pouquinho da banda que completa 30 anos de existência no dia 12/05 e é patrimônio histórico da minha cidade. Mas de tudo, a melhor parte foi quando a forte chuva que caía me impediu de voltar ao jornal e eu tive que ficar no pátio da sede da banda enquanto dona Maria das pernas compridas (chuva, no linguajar de alguém que não me lembro quem) não passava.
Naquele momento, aproveitei para tirar algumas fotos, pois havia muitas crianças que estavam ali devido a uma parceria com o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Discretamente, retirei a máquina da bolsa e, no primeiro instante, pensei em fotografá-las sem que elas me vissem enquanto ensaiavam para uma apresentação, mas fui interrompida por uma voz estridente, saltitante:
- Êba! Tirar foto!
Então todas as crianças começaram a se arrumar alvoroçadas. Uma ajeitava o cabelo, outra ensaiava poses, um caso sério! Eu, na minha ousadia, falei:
- Digam jegue!
E todas elas:
-Jeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeegue! – Em um coro de vozes e de sorrisos.
Muitos flashes depois, voltaram aos seus postos. Enquanto ensaiavam sob o olhar atento do instrutor, pude perceber a alegria daquelas crianças carentes. Cada uma querendo aparecer mais que a outra, carregando uma invejada ingenuidade infantil. Imaginei cada uma com seus sonhos particulares, sua história de vida sofrida e fiquei feliz ao perceber que elas estavam enxergando novos horizontes e tendo uma oportunidade de não contribuírem com a marginalidade que vem crescendo em Camaçari (assim como em todo Brasil). Fiquei feliz e emocionada. Menos um ponto para mim, jornalistas não devem se deixar envolver com a matéria. Menos um mesmo, assumo em minha teimosia.
A chuva ficou fraquinha, hora de voltar. Despedi-me do presidente, e fui caminhando de mansinho até o portão, a fim de não atrapalhar o ensaio. Quando já estava quase lá, ouvi uma voz estridente, saltitante:
-Tchau tia!
Tia? Olhei para trás me acabando de dar risada, devolvendo o “tchau”. Faltava apenas um passo para eu ganhar a rua quando:
-Obrigado pela foto!
E a tia foi embora com um sorriso de paz estridente, saltitante!
Por Meg
Fim do Post
COMENTANDO OS COMENTÁRIOS:
Oi pessoas! A partir desse post, vou reservar sempre um espaço para dar um retorno (famoso feedback) para os que comentam nos meus textos. É muito gratificante e serve como uma alavanca incentivadora todos os comentários deixados no meu blog. Tem gente que comenta sempre, gente que comentou uma vez na vida, que sempre lê, mas nunca comentou por que não tem “saco” para digitar aqueles caracteres de segurança ou por outro motivo qualquer, gente que me manda e-mail, que me adiciona no msn, enfim! Os elogios e as críticas construtivas são e serão sempre muito bem vindos e eu fico muito feliz com todas essas manifestações. Por isso mesmo, chega de falar e vamos mexer a massa! A cada novo post, comentarei sobre os comentários deixados no post anterior até a última atualização. Vamos lá:
Beijos pessoas! Até o próximo post!
Meg
(claudia.magnolia@hotmail.com)
claudiamagnolia
23:01 — Arquivado em: 

Gostei das novidades. Li a entrevista da qual vc falou. A BAMUCA é realmente um patrimônio. Conheço pessoalmente gil e sei da dedicação. Quanto às crianças, como não se envolver? como não se emocionar com as possibilidades destes pequenos? como escapar aos olhares avassaladores?.
- estas maquinas digitais demoram muito para deflagrar o famigerado “frexi”, entao cabe uma frase: jeeeegue coooma alfaceeee.
se nao sair o sorriso, o bico tá garantido.
Grande abraço e obrigado pelas visitas e comentarios.
Comentário por carlos — 28.2.07 @ 15:50
Minha linda, cada vez que leio um texto seu fico mais e mais emocionada, radiante com cada palavra. Menina Deus lhe deu um precioso dom, o da escrita. E você sabe muito bem prender a leitura dos seus leitores anônimos. PARABÉNS!!!!
A BAMUCA, saudade eu tenho demais, Gil é O CARA, adorei a matéria.
E como nosso amigo Carlos disse, como não se apaixonar por crianças.
Cada uma com sua particularidade, muitas com problemas de adultos mais que em um sincero sorriso não nos deixa ver nenhum indício, é só alegria nos olhos quando chega alguém como você para mudar o dia.
beijos linda e mais uma vez PARABÉNS.
Comentário por Marta — 28.2.07 @ 23:08
Saudações tia…
Jegue, só vc mesmo viu Meg. Pelo menos está se divertindo com a profissão. Não li a matéria, onde posso encontra-la?
Até
Comentário por Yuri Almeida — 1.3.07 @ 18:54
É amiga
quem nunca foi
chamada d tia heim??rsrs
até eu já fui magina…
criança é sempre TDB né?
eu AMOOOOOOOOOOO de paixão
- qnd começam a gritar,chorar
daí pl amor d Deus
ninguém aguenta né
nem o carro do pão
só a mãe msm e olhe lá…
Oi “tia” Claudinha
q ñ é leite
fk + p Nescafé heim
ops!!!propaganda
ñ pd né… rsrs
Ai q emoção
meu nome ali em cima
vou fk famosa rsrs
TE AMO
amiga
Bjks
Comentário por Linda Nunes — 2.3.07 @ 2:06
Olá.
Tenho uma dúvida. O que é isso que você escreveu? Uma experiência vivida, ou um conto?
Lembrou-me Clarisce Lispector em seus doces e deliciosos contos. Mas o quão agradável foi, se foi real.
Descreveste a situação toda com muita facilidade. Se és jornalista, ai sei o porque disto. Porém se não é, tem um dom.
Sucesso em suas empreitadas.
Andino Só Soares
Comentário por Andino Só Soares — 2.3.07 @ 11:06
Cau, me realizo em suas experiências profissionais e textos, tenho um orgulho danado de lê-los e perceber como a cada dia ficam melhores (se é que isso é possível)!!!!
Te amo e sei que vc vai longe!!!
PS.: Sou tua fã nº 2.
Bjosss
Comentário por Francys Santos — 2.3.07 @ 13:07
A bela arte do jornalismo! Que inveja! Muito bom seus textos e causos! hehehehehehehe
Bjs
Comentário por Martin — 3.3.07 @ 9:25
Oi meg,
legal o seu texto, me peguei imaginando toda a situação… o alvoroço das crianças, oseu desconcerto… rsrs
Vou te add nomsn viu…
abraços
Comentário por Imcompreendida — 4.3.07 @ 1:28
As aventuras da jornalista que caminha por Camaçari.
Contou-me uma vez uma colega, ja falecida, (querida Márcia que saudade), que o jornalista tem que ir no local para fazer uma reportagem, não da para fazer por telefone, a gente tem que relatar se tem um boizinho na direita, uma porteira que o gonzo renge, que as folhas das arvores voam com o vento, etc etc..
Esse seu jeito de escrever consegue colocar o leitor dentro da história, pois vc descreve os mínimos detalhes. (bora logo escrever um livro: Aa aventuras de uma jornalista que caminha
por Camaçari)
Detalhe: as fotos estão no computador, seria interessante inserir as imagens no texto.
Comentário por Julio — 4.3.07 @ 11:44
Oi Claúdia! Adoro ler seus textos. Voçê continua uma “figura”.
Parabéns e um grande abraço!
Comentário por Nilton Guimarães — 22.3.12 @ 19:15